Saio enfim à rua. Um sol grande cumprimenta-me a dôr de cabeça. Como uma carícia que guarda em si uma certa aspereza por ter deixado a manhã passar. E as côres intermitentes que se colocam aos poucos em fase, num background anónimo... Como numa fotografia exposta em demasia, da qual se deixa esbater o relevo e o além.
De retorno ao quadro soalheiro, consistente em a passada recordar-se da calçada estar ali, a noção branda de perpassar a vida da cidade. E é mais um fim-de-semana que se escorreu no recosto de uns lençóis, como fios de água que se entrenham entre as pedras e se precipitam para o esgoto. Na lateral do caminho, faíscas de sonho ora as beatas extintas por aqui e por ali.
Impõe-se o dia e a vida. Se tivesse que fazer uma peça grega em que um personagem simbolizasse a Morte, chamar-lhe-ia Domingo. Mas não são esses a era e o papel que me estão destinados. Devo hoje sim assentar ao de leve na passagem, encabeçar a máscara de estar de passagem, pelo tempo estritamente necessário até retomar o posto de observação do qual então extrair este trecho. Paisagem ruela de atravessar dois pólos de no fundo a mesma habitação - a do costume.
Ir buscar sim, à Grécia Antiga, alguma estátua do Propósito. Essa sim, a verdadeira meta possível por este não percurso ou descrição. Um outro roteiro de um qualquer místico cruzeiro, e uma qualquer ondulação mágica que então aporte a novos cais ou planetas. Articular então pelas entrelinhas a missiva de uma partida próxima.
Ensaia-se nesta bilheteira que é ainda as traves de uma outra e os pregos, por tatuar na rotina da madeira essa tal aquisição. Veremos talvez um dia o que o nevoeiro do oceano nos reserva. Para já, vive-se este seu sôpro dissimulado pela realidade urbana. E imprime a sua fuligem um distante esboço de arquitectura e embarcadeiro no invisível do lugar.